Wednesday, 5 February 2025

Bosque do Peró

 Em 1981, ano em qu o Grêmio se consagrou campeão brasileiro de futebol pela primeira vez, e também o ano do fracassado Atentado do Riocentro, as visitas a Cabo Frio teriam uma grande mudança. 

O crescimento de Cabo Frio e Búzios como opção de veraneio para a classe média alta e alta carioca fomentou o desenvolvimento de um número de condomínios na região entre as duas cidades. Com acesso a praias paradisíacas e até então não maculadas pelo turismo, como a Praia do Peró, a Praia das Conchas e a Praia do Sargento, a região tinha um enorme potencial para satisfazer o crescente desejo de possuir uma segunda morada em local tranquilo na região dos lagos. 

Sunday, 2 February 2025

Cabo Frio

 Durante a infância, quando vivíamos no Rio de Janeiro,  meus pais muitas vezes nos levavam para passar as férias em Cabo Frio. Íamos visitar a tia Enedita, que morava lá, numa casa à beira de um canal.

 

Tia Enedita era uma personalidade de Cabo Frio. Todos a conheciam, todos as cumprimentavam, muitos a visitavam. A casa estava aonde é agora uma área bastante prestigiosa de Cabo Frio, devido à sua localização privilegiada, perto do centro e do canal.

 

Cabo Frio era uma pequena vila de pescadores na Região dos Lagos, a umas três horas de viagem de carro desde a cidade do Rio de Janeiro. Estava crescendo em popularidade como um resort balneário, onde mais e mais cariocas investiam em uma casa de praia para férias, feriados e fins de semana.

 

Com boas praias, de areias brancas e finas, águas de um azul turquesa, proporcionava ótimos passeios e mergulhos, ainda que, como diz o nome, sua águas era bastante fria, enquanto que a temperatura fora da água  era extremamente alta no verão, médios a altos trinta mas algumas vezes alcançavam os quarenta.

 

A Praia do Forte, a mais famosa e movimentada, contava com um punhado restaurantes, quiosques, sorveterias (ou talvez apenas uma sorveteria) e lojas para turistas e tinha uma excelente infraestrutura para os anos 80. Quem lhe dava o nome era o forte de São Mateus, uma construção do século XVII, aberto a visitação e ótimas oportunidades de foto (imagino que estará apinhada de influencers hoje em dia). O acesso ao forte em si se dava por uma tortuosa jornada de carro por ruas de terra, ou barro durante as chuvas, com resquícios de uma tentativa de asfaltamento. Ainda que não houvesse muita estrutura, haviam vendedores ambulantes vendendo sorvetes, carroças de milho e, claro, cerveja em lata. Também se podiam alugar caiaques. Alternativamente se podia caminhar até o forte desde a praia do forte, no centro, por um longo trecho de areia com tão somente a vegetação rasteira local, incluindo capim de praia e um razoável número de cactos.